Artigo de autoria do Prof. Lasse Lipponen, traduzido do original disponível em https://www.heischools.com/news/2020/4/1/circle-of-compassion-in-global-crisis.

Com quem você mais se importa? Quem você ajudaria em momentos de necessidade? Para muitos de nós, a resposta para ambas perguntas seria a mesma. Tendemos a limitar nosso círculo de compaixão aos nossos mais queridos, porque essas ações requerem energia, sacrifício e dedicação emocional para se empatizar e estender uma mão a alguém que precisa. Entretanto, nesse momento de sofrimento generalizado, temos a oportunidade, e mesmo o imperativo, de expandir nosso círculo e nossa compaixão a mais pessoas. Não apenas pela razão de sermos gentis; também pela razão de urgência moral.

Por um lado, a pandemia Covid-19 mudou, ao menos temporariamente, como convivemos com nossos amigos, famílias, conhecidos e estranhos. Fomos solicitados a permanecer em casa e a mantermos distância de outras pessoas. Em uma escala global, países fecharam suas fronteiras a forasteiros e se distanciaram de outras nações. Governos estão focados nos cuidados aos seus próprios cidadãos e na criação de estratégias nacionais de sobrevivência e combate ao vírus.

Por outro lado, entretanto, estamos testemunhando tremendos atos de gentileza. Pessoas se unindo e promovendo grandes e generosos esforços para cuidar de terceiros, ajudando, confortando, protegendo e compartilhando o que tem com aqueles que estão em sofrimento. Alguns, inclusive, arriscam sua própria segurança e saúde para proteger outros de ameaças, frequentemente sem esperar nada em troca.

Prof. Lasse Lipponen

A força motivadora por trás de tais gestos é a compaixão. Compaixão é a resposta humana natural para o sofrimento e dor de outra pessoa, evidente o princípio da história humana e apontada por autores clássicos como Aristóteles e Rousseau. De fato, compaixão e empatia são as bases emocionais que nos conectam uns aos outros. Sem estas, perdemos a habilidade de respeitar aos demais, protegê-los de riscos e responder às suas necessidades. Com compaixão e empatia, somos capazes de atentar para o sofrimentos dos outros, nos preocuparmos com eles, e tomarmos medidas para aliviar sua dor.

Devemos, entretanto, ser cuidadosos em não cair na armadilha de sentir compaixão apenas por alguns. É fácil sentir compaixão por nossos mais próximos e queridos, mas pode ser mais difícil empatizar com outros quando questões de status, cultura, religião, idioma, cor da pele sexo ou idade estão a nos separar. Temos a tendência, ou mesmo enviesamento, de agir com compaixão para com aqueles que são mais importantes para nosso bem-estar por já estarmos emocionalmente envolvidos nestes relacionamentos. Em tempos de crise, há um perigo real de estreitamento da compaixão para com apenas aqueles mais próximos, empurrando o mundo na direção do ‘nós’ versus ‘eles’.

Agora, durante o momento de uma crise generalizada em nosso mundo hiperconectado, é imperativo que nossa compaixão se estenda muito além dos nossos círculos pessoais e fronteiras nacionais. Não nos permitamos confinar a compaixão àqueles mais próximos e excluir os mais distantes. Evitemos a divisão do ‘nós’ e ‘eles’. Ao invés disso, adotemos a compaixão como uma ferramenta de transformação social, para mudar não apenas como interagimos face-a-face com os que nos cercam, mas também como conduzimos nossas sociedades. Deveríamos usar deste momento como uma oportunidade para reestruturar políticas e processos sociais, e colocar a compaixão e a empatia no centro. Vamos expandir nosso círculo de compaixão de forma a incluir todas as pessoas, animais e até mesmo a biodiversidade, e, ao fazer isso, criaremos uma cultura global de compaixão.

Professor Lasse Lipponen
University of Helsinki e HEI Schools

Referências

  • Hilppö, J. A., Rajala, A. J., Lipponen, L. T., Pursi, A., & Abdulhamed, R. K. (2019). Studying Compassion in the Work of ECEC Educators in Finland: A Sociocultural Approach to Practical Wisdom in Early Childhood Education Settings. In S. Phillipson, & S. Garvis (Eds.), Teachers and Families Perspectives in Early Childhood Education and Care: Early Childhood Education and Care in the 21st Century Vol. II (Vol. 2, pp. 64-75). (Evolving Families). Abingdon: Routledge.
  • Lilius, J., Worline, m., S. Maitlis, S., Kanov, J., Dutton, J. & Frost, P. (2008). The Contours and Consequences of Compassion at Work. Journal of Organizational Behavior 29, 193–218.
  • Lipponen, L., Rajala, A., & Hilppö, J. (2018). Compassion and Emotional Worlds in Early Childhood Education. In C. Pascal, T. Bertram, & M. Veisson (Eds.), Early Childhood Education and Change in Diverse Cultural Contexts (pp. 168- 178). (Routledge Research in Early Childhood Education). New York: Routledge.
  • Nussbaum, M. (2014). Compassion and terror. In M. Ure & M. Frost (Eds.), The Politics of Compassion (pp. 89–207). London: Routledge.
  • Rajala, A., & Lipponen, L. (2018). Early Childhood Education and Care in Finland: Compassion in narrations of early childhood education student teachers. In S. Garvis, S. Phillipson, & H. Harju-Luukkainen (Eds.), International Perspectives on Early Childhood Education and Care: Early Childhood Education in the 21st Century Vol I (pp. 64-75). (Evolving Families; No. 3). Abingdon, Oxon ; New York, NY: Routledge.
  • Ure, M., & Frost, M. (Eds.) (2014). The Politics of Compassion. New York: Routledge.

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