Grande parte dos negócios nascentes vivem a utopia de que poderão galgar as etapas de implantação e rampagem de mercado com base em investimentos de terceiros. Com mercados cada vez mais profissionalizados e competitivos, essa utopia se prova mais e mais inalcançável para a grande maioria os empreendedores na fase de ideiação.

Portanto, os idealistas precisam buscar modelos alternativos para viabilizar a estruturação da sua startup. É aí que entra o “Bootstrapping“!

Bootstrapping é um termo usado globalmente para identificar a modelagem de negócio com base em alternativas internamente disponíveis ao próprio negócio, sem a dependência de investidores ou outros agentes externos para sobreviver e continuar ganhando clientes e faturamento. É uma forma inteligente e efetiva de construir estratégias empresariais, especialmente em tempos de mercado turbulento, pois traz ao empreendedor um maior nível de independência e autonomia para gerir sua visão negocial.

Exigindo do empreendedor um esforço adicional de planejamento no início de sua empreita, o Bootstrapping pode resultar em importantes frutos na sustentabilidade e longevidade dos negócios, além de permitir que as startups que adotam este modelo sejam mais resilientes e prosperem em ambientes onde outros concorrentes não terão capacidade para subir degraus.

Além de fazer com competência aquilo que seu negócio tem como propósito para os clientes, seguem aqui algumas dicas sobre como incorporar o Bootstrapping em sua estratégia:

Questione seu modelo Tributário

Mesmo considerando que a atividade econômica do negócio pode delimitar as opções de registro e modelos tributários, o Brasil oferece alternativas que devem ser consideradas pelo empreendedor de forma a tornar sua startup mais enxuta, flexível e menos onerosa nos aspectos burocráticos.

Geralmente, as opções oferecidas pelo Simples Nacional são as de menor carga tributária total, além de oferecerem modelos simplificados de recolhimento de impostos de forma integrada, o que elimina custos burocráticos para as empresas optantes.

Entretanto, o Simples Nacional tem limites de faturamento para as empresas optantes. Assim, com o crescimento do negócio, a análise passa a ser mais complexa, e uma boa assessoria contábil poderá oferecer ideias que preservem a competitividade do negócio, ao passo em que garantam governança às operações.

Tenha disciplina de Orçamento e Caixa

Planejar e conhecer o seu orçamento é o primeiro passo na dimensão financeira. Porém, monitorar para que este orçamento seja cumprido na fase de execução é crucial.

O otimismo na definição de despesas e receitas é um ponto a se evitar, pois fatalmente resultará em situações constrangedoras nas fases seguintes. Portanto, se certamente ocorrerão erros em seu orçamento, faça com que esses sejam por excesso de cautela.

Daí por diante, monitore suas receitas e seus gastos semanais e mensais em um fluxo de caixa até que tenha plena segurança sobre suas operações. No lado das despesas, tenha clareza sobre qual a sua taxa de gastos (“burn rate”). Isso lhe trará condições para decidir sobre cortes em despesas menos prioritárias, e reajustar seu orçamento para recuperar a margem de lucro.

Já no lado das receitas, evite alternativas abusivas de financiamento, e não realize operações alavancadas em incertezas de faturamento, como no caso dos cartões de crédito, as quais podem se acumular e inviabilizar o negócio. Por mais difícil que seja, opere dentro dos limites de recursos realmente disponíveis.

Trabalhe o seu Perfil

A arena empresarial demanda multidisciplinaridade do empreendedor, de forma a combinar virtudes e habilidades em diversos campos da administração: das finanças ao marketing, da produção ao capital humano, entre outros. Adicionalmente, boas doses de sangue-frio, resiliência e paciência serão necessárias, testando os nervos da maioria dos líderes de start-ups, qualquer que seja sua área de negócio. E esteja preparado para suprir quaisquer outras lacunas percebidas em seu empreendimento durante a jornada.

Além disso, será importante que o empreendedor esteja sempre trabalhando sua rede de contatos, interagindo com já conhecidos e conhecendo novas pessoas relacionadas ao seu mercado. Esta é uma forma prática em quase todos os ramos de atividade para se conseguir novos aprendizados, buscar mais clientes, ou melhorar sua cadeia produtiva. Conexões no mercado podem, em diversas situações, serem mais valiosas que o próprio investimento financeiro.

Em síntese, adotar um modelo Bootstrapped torna o empreendedor fortemente responsável pelo seu próprio sucesso. A boa notícia é que, fazendo corretamente, o resultado de todo o esforço tende a ser extremamente compensador, e o apetite de investidores externos poderá lhe surpreender em fases mais maduras do seu negócio, pagando bons prêmios para alavancar maiores crescimentos de um negócio lucrativo e provado.

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