Nós humanos temos uma posição destacada no planeta especificamente em razão de um fator diferencial frente a todas as demais espécies que aqui coabitam: nossa Inteligência. E desde a década de 50, alimentada por pensadores como Alan Turing, a civilização humana se encanta com as possibilidades reais ou utópicas da aplicação de algoritmos eletrônicos e mecanismos robóticos em transformar nosso cotidiano e nossas possibilidades de futuro trazendo-nos ainda mais inteligência. É a chamada Inteligência Artificial – IA.

De lá para cá, fruto de um crescimento exponencial dos conhecimentos em áreas fundamentais à maturação das inteligências artificiais, e também das capacidades computacionais disponíveis, torna-se agora possível prever um cenário onde essas tecnologias estarão amplamente disseminadas na população em um prazo de tempo bastante curto.

Com soluções já disponíveis, e outras projetadas para o futuro próximo, grandes players do setor de tecnologia começam a flertar com possibilidades interessantes.

Porém, seja agregando valor às plataformas desses grandes players, ou na ocupação de nichos ou vácuos neste novo mercado que surge, há um enorme espectro de oportunidades para exploração por parte de empresas de menor porte e de startups. Para tanto, essas precisam compreender alguns princípios estruturais deste novo mercado das IAs.

Um primeiro fundamento relevante é o da integração de teorias estatísticas de forma mais consistente nas plataformas de IA. Este fundamento terá gigantesco impacto em diversas soluções, como por exemplo no mercado de cidades inteligentes (as chamadas “smart cities”) que buscarão otimizações logísticas em tempo real e retroalimentadas por veículos autônomos – carros, drones e outros que se auto pilotam.

Outro fundamento relevante é o da capacidade de aprendizado dessas plataformas. Recentemente, essa dimensão da IA tem evoluído radicalmente, com aplicações bastante promissoras no campo da interpretação de bases de dados enormes para identificação de padrões incrivelmente complexos, como por exemplo, no campo do reconhecimento de voz que hoje é feito até mesmo em um smartphone pessoal, ou no campo da visão computadorizada com a habilidade de reconhecer objetos em bases de dados de imagens, ou, ainda, a capacidade gestual e de locomoção de robôs que se aproximam da perfeição.

E é quando novos patamares tecnológicos são alcançados em áreas complementares, como podemos ver neste momento, que a fertilidade empreendedora tende a demonstrar sua pujança. Com isso, torna-se bem fácil prever um novo ciclo de empreendedorismo inovador no campo da IA.

Cabe aqui uma ressalva quanto à necessidade de se preservar o respeito aos limites éticos e morais do uso de tecnologias tão poderosas, que ignorados poderiam criar máquinas superinteligentes cujos propósitos não necessariamente estariam alinhados com os da sociedade humana.

Portanto, podemos já no curto prazo identificar soluções de IA para consumo imediato em grande escala, como as aplicações voltadas a Assistentes Pessoais, a exemplo da Apple Siri, Microsoft Cortana, Amazon Echo e Alexa, Google Assistant e outras. Essas aplicações tendem a gerar oportunidades específicas para empreendedores de nicho dentro da sua própria plataforma, mas também criam mercado para serviços digitais verticalizados e especializados que poderiam funcionar isoladamente, ou integrados às demais plataformas de Assistentes Pessoais. Para ilustrar, vejamos que uma empresa que se dedique a inteligência artificial voltada ao mercado financeiro, à logística turística, ou à saúde pessoal, poderia prover seus serviços como um assistente pessoal especializado aos seus usuários, ou como um “add-on” da Siri ou da Cortana.

Obviamente, os exemplos utilizados acima, que ilustram soluções de implementação de curto prazo, apenas arranham a superfície de um tema com potencial tremendo de transformação na sociedade humana.

Portanto, é hora dos empreendedores novamente colocarem mãos-à-obra. Enquanto visionamos uma nova onda empreendedora com base nas IAs, devemos garantir que o raiar dessas novas possibilidades nos impulsione a novos patamares em campos como o da Educação, Saúde, Bem-estar e Produtividade.

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