Baseado no artigo do co-autor Ben Pring ao World Economic Forum

O crescimento da inteligência artificial (IA) pode ser o grande marco deste momento da história humana. Após décadas de desenvolvimento, máquinas capacitadas por IA logo transformarão nossas vidas, nosso trabalho e nossa sociedade de formas que dificilmente podemos prever, mas facilmente podemos imaginar. Consideremos alguns exemplos:

  • Negócios nas Bolsas de Valores: Em 2015, seis dos oito maiores fundos dos EUA faturaram cerca de 8 bilhões de dólares bastante — ou exclusivamente — alicerçados em algoritmos de IA. “A máquina” já dominou a atividade de seleção de investimentos.
  • Saúde: A IA está rapidamente superando as capacidades de radiologistas humanos. No Hospital Metodista de Houston, softwares inteligentes interpretam resultados de raios X 30 vezes mais rápidos que os médicos, com uma precisão de 99%.
  • Direito: sistemas computadorizados com IA estão realizando atividades de investigação e diligência com menor custo, maior velocidade e melhor qualidade que os mais talentosos profissionais. Logo, depender apenas de humanos para estas atividades poderá se tornar um procedimento frágil e de risco.

Para muitos, a capilarização da IA no contexto humano – e a proliferação de novas máquinas alimentadas por IA, algoritmos, bots e big data – levanta uma questão desconfortante: se máquinas podem fazer tudo, então como os humanos poderão ganhar a vida?

Essa é a questão que ecoou na mente dos autores deste livro por um tempo, levando-os a trabalhar na definição de como a tecnologia vai moldar as oportunidades e ameaças aos humanos, tentando prever como homem e máquina se relacionarão e coexistirão.

Homem e Máquina

A conclusão: tudo vai ficar bem.

As novas máquinas vão desempregar muitos trabalhadores atuais?  Sim, mas, em uma escala maior, as novas máquinas também criarão novos trabalhos melhores, mais produtivos e mais gratificantes que os atuais para os humanos. Elas melhorarão o padrão de vida e serão impulso para um novo período de crescimento econômico amplamente distribuído.

Mas há um senão. Empresas precisam abraçar duas verdades: primeira, as máquinas farão mais que o trabalho humano pode realizar hoje; e segundo, nunca será tão importante se reforçar o valor humano.

Em síntese, as mudanças que você implementar hoje serão críticas na sua preparação para a próxima era.

Baseado no trabalho dos autores com 2000 empresas globais, desenvolveram uma abordagem estruturada para o progresso neste novo contexto, o qual denominaram “Modelo AHEAD” (sigla com as iniciais em inglês das palavras Automate, Halo, Enhance, Abundance e Discovery). O modelo é essencialmente uma cartilha que destaca as cinco abordagens específicas para vencer com a IA, cada uma com seu conjunto de táticas.

Automatize

É uma oportunidade única em uma era: organizações que aplicarem automação inteligente de processos poderão mudar completamente sua estrutura de custos e obter ganhos significativos de velocidade e qualidade em sua operação. É a única forma de se concorrer com patamares de mercado como o “custo Amazon” e a “velocidade Google”, exigidos na era digital.

Para forçar a você e sua equipe a reimaginar como sua atividade pode ser realizada, aplique a regra 25%-25%: defina expectativas de redução de custos de 25%, com um aumento associado de produtividade de 25%. Isso rapidamente deixará claro que métodos tradicionais não serão suficientes, e que a automação pela aplicação de IA proporcionará os resultados almejados.

Auréola

Cada revolução industrial até hoje foi estimulada por uma matéria-prima: carvão, aço, petróleo, eletricidade. Hoje, a matéria-prima são os Dados. Empresas precisam compreender como utilizar essa commodity – disponível a cada um e a todos nós – tornando-a uma vantagem competitiva.

A corrida está ativa rumo a instrumentalizar produtos e pessoas, e utilizar os dados que eles geram (o que chamamos de Auréolas), usando depois a inteligência resultante desses para criar novas experiências aos clientes, bem como evoluir modelos de negócio. Fazendo isso, seu negócio pode se tornar um ponto de “sabedoria”, o qual utiliza sensores e instrumentos para saber tudo sobre todos.

A General Electric e a Nike são ótimos exemplos de empresas que estão mudando as regras do jogo em seus segmentos pela instrumentalização dos seus produtos, circundando-os com auréolas de dados e criando novas propostas de valor e intimidade com seu consumidor.

Evolução

Acreditamos que a melhor forma de compreender o nosso futuro é enxergar as máquinas inteligentes não como concorrentes ao trabalho humano, mas como companheiras que ampliarão nossa produtividade e satisfação profissional. Pense como o GPS atualmente melhora nossa dirigibilidade. Nos próximos anos, vocações inteiras, de vendas a enfermagem ou o ensino, serão melhoradas por novas máquinas. A vasta maioria de nós escolherá trabalhar com com humanos evoluídos, ou seja, aqueles equipados com sofisticados sistemas inteligentes ao seu lado.

Quando o computador faz aquilo que faz bem, ele nos permite focar melhor naquilo que fazemos melhor. Em um mundo evoluído, com tecnologia mais pervasiva, atividades unicamente humanas como a empatia, a construção de relacionamentos e a compreensão de situações complexas, se tornarão ainda mais importantes.

Abundância

A idéia econômica da abundância é bastante antiga: o tear nos levou à abundância de roupas; a máquina a vapor nos proporcionou a abundância de deslocamentos transoceânicos; e a linha de produção nos trouxe abundância de bens de consumo em todo o planeta. Esses produtos deixaram de ser raridades luxuosas, tornando-se itens democratizados e ubíquitos.

Com as novas máquinas, logo experimentaremos uma nova era de abundância em áreas como serviços financeiros, seguros, serviços de saúde, entretenimento e educação. À medida que as novas máquinas promovam reduções de preços, mercados de abundância serão estabelecidos, e vendas ampliadas a níveis inimagináveis. Sua organização estará pronta para aproveitar esta vantagem da nova abundância, ou será vítima dela?

Descoberta

Enquanto máquinas farão boa parte do nosso trabalho atual, o processo de inovação nos permitirá descobrir coisas inteiramente novas que, por fim, serão as novas atividades humanas no futuro. Por exemplo, quando o cortador de grama foi inventado em 1827, quem poderia imaginar que ele impulsionaria a consolidação do segmento global dos Esportes, que hoje movimenta 620 bilhões de dólares anualmente? Cremos que os sistemas inteligentes estão agora criando as bases nas quais novos segmentos produtivos e novos empregos surgirão.

Já acompanhamos líderes da economia digital apostarem em novos “cortadores de grama” da era digital — é o caso de Mark Zuckerberg, criador do Facebook, que aposta no Oculus VR ou em testes bancários com Blockchain. Seu trabalho é o de imaginar novas formas de criação de valor com o advento das novas máquinas inteligentes.

Esteja você liderando uma grande empresa ou apenas iniciando sua carreira profissional, decidir o que fazer perante o contexto de novas máquinas — e o coquetel de IA, algoritmos, bots e big data — será a ação mais relevante para o seusucesso futuro. De modo similar a prévias revoluções industriais no planeta, esta vai complicar a vida dos que decidirem sentar e aguardar; e vai oferecer enormes possibilidades e prosperidade àqueles que dominarem a interação produtiva com as novas máquinas inteligentes.

Este artigo é baseado no livro “What To Do When Machines Do Everything: How to Get Ahead in a World of AI“, de co-autoria de Malcolm Frank, Ben Pring e Paul Roehrig.

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