Em um futuro não tão distante, nossos espelhos poderão nos reconhecer. Logo pela manhã, ao ver nossa face, eles poderão tocar uma música que gostamos, nos informar o clima, ou nos lembrar sobre os compromissos do dia. E com tecnologia em desenvolvimento em Cornell Tech, nossos espelhos também poderão avaliar nossa saúde, escaneando nossa pele verificando alterações que poderiam indicar câncer.

“Gostaríamos de encontrar algo que beneficiasse a sua vida, que pudesse ser feito em 3 segundos toda manhã,” diz o mestrando Evan Kesten, estudante de Mídia Conectiva no Jacobs Technion-Cornell Institute da Cornell Tech. “Um alvo fácil foi o câncer de pele. Ele afeta um em cada cinco americanos durante sua vida, e muito pode ser detectado sobre uma pinta ou anomalia maligna apenas pela inspeção visual. Entendemos que fazia sentido colocar visão computadorizada e tecnologias de aprendizado para combater esta doença.”

Como a Saúde Reflectiva funciona?

Com aconselhamento da Profa. Deborah Estrin, da Ciência da Computação de Cornell Tech e Políticas e Pesquisas em Saúde na Weill Cornell Medicine, e Prof. Arnaud Sahuguet, diretor do The Foundry na Cornell Tech, Kesten e seu time estão desenvolvendo e aprimorando seu produto, chamado de Saúde Reflectiva. O modelo atual consiste em um espelho de duas vias com um monitor atrás deste, com o que a razão reflectiva do espelho permite ao usuário se ver ao mesmo tempo em que enxergam informações no monitor através do espelho. O modelo é operado por um computador Raspberry Pi do tamanho de um cartão de crédito.

A ideia é que a Saúde Reflectiva tirará fotos da face e corpo do usuário diariamente, e algoritmos filtrarão e segmentarão as fotos para criar um perfil para cada pinta. “Então, para cada marca na pele, haverá um histórico que mostra sua evolução no tempo, avaliando o tamanho, coloração, mudanças nas extremidades, etc,” diz Kesten.

Eventualmente, a Saúde Reflectiva poderá ser utilizada pelos médicos como um tipo de painel para visualização das alterações significativas. Com estas informações, os médicos terão um contexto mais completo que as atuais visitas tradicionais feitas pelos clientes a cada 1 ou 2 anos.

Kesten e seu time estão conscientes de que ter um espelho no quarto ou no banheiro de um usuário pode parecer uma perigosa invasão de privacidade. Para combater este risco, o sistema está sendo desenvolvido para proteger a identidade do usuário. A Saúde Reflectiva trabalhará se conexão à Internet, para prevenir o acesso remoto ou a invasão, e o sistema também não armazenará imagens originais, guardando apenas aquelas partes recortadas que são importantes para os fins médicos. Com isso, apenas imagens de pintas, verrugas ou manchas seriam compartilhadas com os usuários e médicos, e nunca uma imagem do usuário em frente ao espelho.

Refinando a Tecnologia

A equipe construiu o segundo protótipo de hardware e agora está dedicando boa parte do tempo no aprimoramento dos algoritmos de “machine learning”.

“Utilizamos uma técnica simples de visão computadorizada, chamada de “blob detector”, que detecta seções de descoloração (os “blobs”),” explica Kesten. “Porém há muito ruído nas imagens – cabelo, roupas, etc. Então retiramos todos os “blobs” e essencialmente tiramos pequenos recortes e submetemos estes ao modelo de “machine learning”que filtrará apenas os pontos que requerem atenção. Estamos agora trabalhando nesta etapa.”

Um dos grandes desafios tem sido obter dados corretos e suficientes para treinar os modelos na identificação precisa de manchas potencialmente malignas. Recentemente, o time obteve dados de um outro estudo executado pela Oregon Health and Science University, que consistiu em fotos de mais de 3.000 pintas tiradas com smartphone. “Estamos agora incorporando esses dados ao treinamento do nosso modelo,” explica Kesten.

Um Modelo para projetos futuros

Evan Kesten, Jillian Sue e Yating Zhan
foto: Patricia Kuharic

Com a proximidade de sua formatura, o time de Kesten anseia que futuros alunos da Cornell Tech se utilizem da Saúde Reflectiva como uma base para seus próprios projetos. Este é um entre os esforços que unem dois programas de Cornell: o de Mídia Conectiva no Jacobs Institute e o de Health Tech (Tecnologias para a Saúde). As parceiras de Kesten, Jillian Sue e Yating Zhan, completarão o mestrado duplo em Health Tech na Technion-Cornell este ano. “Achamos esta uma ótima forma de combinar o potencial dos dois programas e termos times de alunos construindo soluções que  convergem a melhoria da experiência dos usuários com o componente médico,” diz Kesten. “Acho que há um grande potencial para crescimento deste projeto como um projeto interno da Cornell Tech, até que atinja maturidade adequada para ser explorado como um produto viável.”

Mídia Conectiva — Pensando nos Humanos que usarão Tecnologias

O programa de Mídia Conectiva do Jacobs Institute na Cornell Tech orienta seus estudantes a desenvolverem tecnologias concientes de como estas serão utilizadas e integradas à vida das pessoas. No caso de Kesten, ele diz que “a maioria dos trabalhos que realizei antes de chegar a Cornell Tech foram simplesmente de desenvolvimento tecnológico que criariam valor para uma empresa. Aqui eles preparam engenheiros de software, gestores e empreendedores a pensar nas pessoas que estarão utilizando essas tecnologias”.

A intensa integração da tecnologia em nossas vidas tem acontecido rapidamente. Vinte anos atrás, por exemplo, usávamos a internet por meio de um computador de mesa o qual conectávamos e desconectávamos em sessões de tempo finito. Hoje, a maioria de nós carrega a internet consigo, por meio de um smartphone. Raramente estamos offline. E esta integração crescente entre humanos e tecnologia oferece vastas e interessantes oportunidades.

Segundo Kesten, “há muito potencial inexplorado que pode melhorar as vidas das pessoas. Acho que todos desejam fazer algo que melhore o mundo, mesmo que em pequena escala, e tecnologia parece ser uma forma bem clara de se fazer isso hoje.”

De Cornell Tech para uma Startup

Para a equipe de Kesten, a próxima fase será, provavelmente, desenvolver uma startup. E para isso, estão confiantes de que Cornell Tech é o melhor lugar para impulsionar seus planos, desde a ideia até a entrada no mercado. Um campus moderno, posicionado em Nova Iorque, com excelentes professores. Além disso, integra um dos melhores ambientes acadêmicos, com uma cultura de diversidade e alta performance, a um dos principais ecossistemas empresariais do planeta.

“Aqui em Cornell Tech estamos imersos na cultura das startups — desenvolvimento de produtos, produção, introdução ao mercado, geração de valor à sociedade. O que me atraiu para cá foi esse ambiente. É uma perspectiva diferenciada sobre o que significa uma pós-graduação.”

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