O atual ambiente Brasileiro, seja por sua estrutura institucional – tributária, burocrática e de financiamento – seja pela atual corrosão reputacional nas relações entre a classe política e o meio empresarial, não inspira a ação empreendedora no país. E essa repressão ao empreendedorismo é um risco sistêmico de grau elevado para qualquer povo, pois direciona gerações a um caminho de fraca produtividade, e baixa produção de riquezas.

Aos que desejam trilhar um rumo diferente da estagnação, como ter uma ação construtiva diante de um momento de tormenta como este? Aqui seguem análises e dicas para ajudar os Empreendedores a sair deste beco.

Prosperidade ou Pobreza

Recursos naturais ou culturais não são os fatores definitivos e determinantes da riqueza de um povo. Segundo demonstram James Robinson e Daron Acemoglu em seu livro “Why Nations Fail” (Porque as Nações Fracassam), é o tecido político e econômico que está por trás do êxito – ou fracasso – de uma nação.

Com base nesta constatação, resultante de mais de 15 anos de pesquisas dos autores, para migrar da pobreza para a prosperidade os países precisam dispor de um correto arranjo institucional que enderece estruturalmente a dinâmica social e mercadológica de dimensões como a propriedade privada, a concorrência, a tributação, o financiamento, entre outros.

Ainda, demonstram que esse desenvolvimento institucional ocorre de modo diretamente proporcional à pluralidade e transparência do sistema político de um país, sendo que o fomento ao amplo acesso eleitoral ao povo, bem como à abertura para a emergência de novos líderes políticos, são princípios para a credibilidade das lideranças;

E um amplo leque de exemplos históricos comprovam que mudanças podem contribuir para instituições favoráveis, inovações progressistas e êxito econômico ou, ao contrário, para instituições repressoras e, em última instância, decadência ou estagnação.

Tormenta

A velocidade no ciclo de inovações, bem como a turbulência geral de mercados, atingem níveis cada vez mais extremos, expondo executivos e lideranças empresariais a desafios sem precedentes. Esse momento contrapõe a relativa calmaria entre meados dos anos 80 e meados dos anos 2000, quando experimentamos um período de estabilidade, crescimento e prosperidade no planeta, o qual foi denominado pelo ex-Presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, como “a Grande Moderação” dada a redução de volatilidade nos ciclos de negócios.

E desde a crise de 2008, a volatilidade retornou a recordes históricos, aumentando a tormenta em nossas vidas. Dado este contexto, dois rumos definem as posturas empreendedoras: há aqueles que se recolhem a terrenos conhecidos e previsíveis; e outros que escolhem abraçar as mudanças e se aventurar por novas fronteiras.

Acreditando que o melhor caminho sempre será o de liderar na direção de novas perspectivas e territórios, oferecer táticas que reduzam o risco dos empreendedores mais ousados e ambiciosos é possível, ajudando-os a alcançar mais criação de valor de forma sustentável.

Como plataforma para a aplicação dessas táticas, elenco três características fundamentais aos empreendedores:

  1. Paixão

Descobrir o que te traz entusiasmo, enchendo de prazer as tarefas recorrentes, torna a atividade produtiva muito mais que um trabalho. Essa é sua paixão!

2. Propósito

Ter clareza sobre sua grande meta, sobre o problema da sociedade que sua atuação vai ajudar a resolver, justificará seus esforços mesmo nos momentos mais difíceis.

3. Persistência

Seguir em frente com seu plano, mesmo frente às adversidades. Permanecer se esforçando, acumulando experiências e evoluindo te aproximará da conquista de resultados não-convencionais.

Dados esses pilares acima, estruturantes a qualquer iniciativa empreendedora em momentos de crise ou não, seguimos agora para as táticas para fases turbulentas:

A) Seja Ágil

Enquanto as empresas no passado poderiam ter sucesso desenvolvendo estratégias e implementando processos passo-a-passo de execução desta, atualmente é demandado uma abordagem mais iterativa, que permita aos líderes empresariais analisar, testar e responder em tempo real às mudanças e fontes de disrupção.

B) Construa plataformas corporativas resilientes

Há que se ter estruturas internas, físicas, intelectuais, financeiras e etc, que confiram à empresa habilidade robusta para absorver choques e seguir progredindo rumo à sua visão estratégica. Empresas devem ter escala e nervos para, frente a obstáculos, manter o curso e perseverar à procura de oportunidades.

Toda empresa tem eventos de boa e de má sorte durante sua existência. O que diferenciará as empresas entre si serão suas reações frente a esses eventos. Capacidades humanas e técnicas bem alinhadas poderão surfar as boas ondas de prosperidade, ou evitar fatalidades em períodos ruins.

Como antever a qualidade das próximas ondas de mercado nem sempre é possível, líderes devem aprimorar plataformas humanas, técnicas, fabris e outras, que ofereçam a melhores respostas e reações a esses eventos.

C) Mantenha-se fiel ao propósito

As convicções do líder são testadas constantemente. Dadas as volatilidades do mercado, algumas convicções poderão ser revisadas, modernizadas e/ou descartadas. Porém, manter fidelidade ao Propósito é requisito para que a própria razão de existência da empresa não seja questionada.

Assim, cabe ao líder, especialmente em tempos de turbulência, compreender, legitimar, comunicar e celebrar o Propósito e os valores organizacionais derivados deste.

D) Mire no médio prazo

O foco excessivo em resultados de curto prazo, prática comum no meio empresarial, e, por outro lado, o foco estatal no longo prazo, podem ser adversários no enfrentamento de momentos turbulentos.

Gestores bem avaliados pelo modelo ocidental de apuração de resultados correm o risco de exagerarem nos cortes de custos, desestruturando condições de aproveitamento de oportunidades que surjam no futuro. Já em empresas estatais, usualmente apontadas para o longo prazo, tendem a mirar sua visão em um futuro tão distante que chegam a ser sem sentido.

Cabe, assim, uma calibragem para que se tenha uma visão também voltada à sustentabilidade no médio prazo, medindo com mais consistência a qualidade da plataforma de resiliência empresarial, e a qualidade do propósito da empresa.

Portanto, abraçar pilares gerenciais e táticas adequadas para a organização podem ser os indutores de sucesso durante tempos turbulentos. São oportunidades disponíveis para a criação de valor, que ajudarão a navegar em águas revoltas com sucesso.

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Curador do Portal Epicentor.com. Empreende no setor de Serviços, Tecnologia e Inovação. Engenheiro civil e ambiental (UnB), pós-graduado em gestão nos EUA e França (INSEAD, MIT, Wharton e Georgetown). É Vice-Presidente de Desenvolvimento e Inovação da Confederação Nacional de Serviços – CNS. Foi Professor-visitante na Cornell University (Nova Iorque – EUA, 2014 e 2015) e Secretário de Comércio e Serviços do Governo Federal (2011 a 2014). Atua como Palestrante em temas voltados ao Desenvolvimento Econômico, e como Membro do Conselho de organizações. Foi co-fundador e dirigente do movimento Jovem Empresarial (CONAJE 2000 a 2002 e CJE-DF 1998 a 1999). É Autor sobre Serviços, Inovação e Empreendedorismo Digital.

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